domingo, 16 de novembro de 2008

O sonho de Olga

Olá, turma marista!

Acharam difícil a reflexão sobre o último poema, "O sonho e a fronha"?

Vamos, então, ler um outro poema com uma proposta semelhante:

Sonho de Olga

A espuma escreve
com letras de alga
o sonho de Olga.

Olga é a menina que o céu cavalgava
em estrela breve.

Olga é a menina que o céu afaga
e o seu cavalo em luz se afoga
e em céu se apaga.

A espuma espera
o sonho de Olga.

A estrela de Olga se chama Alfa.
Alfa é o cavalo de estrela de Olga.

Quando amanhece, Olga desperta
e a espuma espera
o sonho de Olga,

a espuma escreve
com letras de alga
a cavalgada da estrela Alfa.

A espuma escreve com algas na água
o sonho de Olga.

Como é interessante!

Aparentemente, o tema do poema é bem fácil: todos nós que já visitamos uma praia podemos imaginar as ondas deixando algas na areia da praia, em formatos semelhantes ao de letras.

Logo vemos, porém, que não estamos falando de letras quaisquer, nem de espuma qualquer, nem de mar qualquer, nem de nada qualquer. Afinal, Cecília nos conduz a um caminho impossível, falando de assuntos que, de certa forma, nem fazem sentido. Menina que cavalga no céu? Que o céu afaga? Espuma que espera o sonho? Estrela-cavalo? Como assim?

Se pararmos para pensar, veremos que nada disso faz muito sentido, mas aceitamos o texto porque reconhecemos nele uma linguagem que conhecemos bem: a linguagem do sonho, em que tudo é misterioso e às vezes um pouco sem sentido, mas muito verdadeiro, porque fala do que existe dentro de nós.

Cecília explora esse mundo que existe nas profundezas do nosso eu, do nosso eu submarino, temperando sua viagem com jogos sonoros e correntes de palavras.

Acharam legal? Maluco? Como em um sonho?

Pois vamos aumentar o tamanho dessa estrada, deixando uma palavra para você pesquisar, que tem muito a ver com toda essa conversa: inconsciente. Cecília Meireles tenta dar voz ao inconsciente.

Um abraço,
Guilherme & Ivanilda

3 comentários:

Luuh disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Lemos disse...

Um poema como esse tem tantas formas de interpretação realmente intriga e supreende o leitor.

gabi disse...

Olá Lentz...
Esse poema é meio difícil de interpretarmos!!
EU acho, porque a Cecília não fala coisa com coisa, os poemas dela são muito além do que imaginei!

Mas, o que eu posso fazer?? A prova é hoje...

Desculpe se não gostaram deste comentário.

Obrigada. Beijos abraços!
Gabi 6ºB