segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O primeiro poema

Olá, turma!

Queríamos deixar logo uma pérola de nossa Cecília para vocês começarem a entrar no clima. Afinal, como vocês sabem, a primeira preocupação de nosso blog é a de fornecer a vocês uma antologia poética de nossa mestra, que valerá como o terceiro livro de nossa terceira etapa letiva de 2008.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro poema que vamos compartilhar é “Motivo”, que abre o livro “Viagem”, de 1938. Segue ao texto um pequeno comentário.

MOTIVO

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Por que se faz poesia? Parece ser a essa pergunta que Cecília deseja responder, quando coloca em seu poema o título de “Motivo”. Sua resposta é simples e corajosa: canta, ou seja, faz poesia porque é poeta. Quando temos dentro de nós um desejo tão forte que podemos dizer que é ele que nos faz ser quem somos, não precisamos de mais explicações. Por isso, Cecília continua seu caminho poético, independentemente da alegria e da tristeza, do vento, do dia ou da noite. Muitas pessoas escrevem porque estão tristes, porque estão alegres ou por outro motivo. Para Cecília, porém, a poesia é sua própria razão de existir.

Ela alerta, porém, que um dia o poeta estará mudo. Se a poesia tem uma razão de existir, será a vontade de vencer o tempo e a morte?

Cecília certamente atingiu esse objetivo, pois sua obra imortal continua nos inspirando, mais viva do que nunca.

Um abraço,

Guilherme & Ivanilda

2 comentários:

joão pedro disse...

E aí Lentz só eu o João de novo pode esperar mais que vou comentar tudo!



João 6o C

Au Revoir

Lucas disse...

E ai Guilherme !! Gostei muito do primeiro poema ! as fraze que mais gostei foi :

'Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.'

Lucas P. 6° A